domingo, 30 de agosto de 2015

Olá  a todos,

Têm sido dias confusos, mas bons em simultâneo...continuo a "controlar" as obras da nossa casa em Lisboa e também a fazer alguns exames para avaliar o estado desta coluna que já teve melhores dias, mas com calma tudo se resolve... e com uns saltos mais baixos (quem me conhece percebe bem o que  isso significa).
 
Voltando às obras...isto de escolher materiais sem ter o Rodolfo comigo é difícil, mas admito que também me dá alguma liberdade na escolha das cores e dos materiais ( sorry babe!). Ele deu-me luz verde e eu espero ter tudo pronto para a chegada do meu Internista favorito!
 
Os reencontros continuam e esta semana revi a minha madrinha P. É sempre bom sorrir com quem nos compreende e até sofre das mesmas mazelas que nós. Gostei de a ver cheia de projetos pessoais e profissionais com o seu F!
Revi mais uma vez o meu adorado Pépi que continua uma fera quando vê outros cães...a castração está  para breve!!!
 
 
Foi também uma semana marcada por um "abre olhos", porque se calhar já tenho idade para perceber que os amigos não são os que dizem ser, mas os que mostram ser. Pessoas íntegras mesmo quando há questões profissionais em jogo, pessoas que estão lá mesmo à distância e que querem é ver-nos bem independentemente de tudo, que têm sempre uma palavra de força para nos empurra no caminho certo e que nunca, mas nunca nos passam a perna.
 
Isto até me dá mais força para querer continuar a ser correta mas, certamente, mais contida em relação a algumas questões da minha vida.
 
Ahh e estou de volta à ao Mentalista, adoro esta série e a minha mãe partilha comigo estes momentos de cinema que adoramos!!!
 
A partir de 4ª feira estamos em contagem decrescente para a chegada do Rodolfo!!!
 
Até breve!!
 
 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vida de Residente: episódio 1

Salut! ;)

Aproveito mais um dia de folga para, entre pausas de estudo, vir aqui dizer um Olá!
Vida aborrecida por Paris, sobretudo em dias de folga! O calor está a desaparecer e a chuva já deu sinais de si.
Sem a Rute por cá, estudo, descanso, estudo e estudo. Felizmente há pausas po Facetime e para colmatar a ausência! Tenho-me desenrascado (sobretudo na cozinha...) e até já fiz ceviche (comandado à distância pela minha Ruth Oliver particular!).

Hoje falo-vos da vida de residente...! Ontem fui ajudar a C., a nova residente de cirurgia, a fazer mudanças...e isso fez-me pensar no quanto a vida de residente pode ser complicada.

Esta semana foi o "pot de départ" dos internos 2014/2015 que acabam oficialmente agora dia 31. E com eles acaba também o A., um dos residentes de cirurgia e sai ainda a E., uma das nossas assistentes de medicina que vai fazer a residência. Um rodopio nos serviços, já típico no começar do ano "lectivo" e que justificou uma "DANCE PARTY"

No seu discurso do fim de residência, o A. sai-se com uma frase particularmente interessante...

"A residência é uma fortaleza "cercada", os que estão fora querem entrar...os que estão dentro querem sair"

E a residência acaba por ser mesmo um pouco isso...

Desde os tempos de estudante e desde que soube da existência de residências (que na altura não eram minimamente faladas), que sempre pus a residência de Medicina Interna (não dava para Cirurgia e as outras áreas não me despertavam tanto interesse) como o cume da minha carreira profissional. Lembro-me que tomei isso como objectivo máximo desde bem cedo e obriguei-me a fazer estágios à esquerda e à direita...fiz o internato de um ano aqui e fiz o phD, em parte para me enriquecer o CV para essa grande meta. Consegui-a, felizmente, sem ter que ir a muitas entrevistas. Entrei nessa fortaleza que o A. mencionou. Mas isto de ser residente não é fácil e sim, quero sair dela o quanto antes.

É uma experiência profissional única, vemos imensos casos, trabalhamos com supervisão e realisamo-nos como nunca até então. Contudo, não temos capacidade para mais nada...! É um interregno na nossa vida onde o estudo impera e onde a nossa capacidade de adaptação e inteligência passa por uma prova enorme (bem ao jeito do Fort Boyard!).  Vemos 90% dos amigos a casar e a ter filhos, com um emprego estável e a fazer programas de família ao domingo e nós acabamos por trocar tudo isso pelos 2 volumes do Ettinger, pelos 2 ultimos numeros do Kirk's e pela fisiologia....! E não...não é agradável!
A Rute desde sempre soube do que isto era e de quais eram os meus objectivos e tem-me dado um apoio enormíssimo...! Acho que sem ela, tudo isto era muito mais dificil. Tal como eu, olho à volta para os meus co-residentes e todos temos histórias de vida inigualáveis com um mesmo ponto comum...lutámos que nem uns mouros para entrar nesta fortaleza...!

Mas e agora dentro da fortaleza?
Enquanto residente, não temos casas de luxo (dormimos em estúdios que nos levam quase metade do salário, sobretudo se for numa grande metrópole), não comemos comida da mãe (comemos maioritariamente pré-cozinhados) e tentamos sempre ter um sorriso na cara, mesmo quando temos 50 relatórios pendentes ou 35 chamadas telefónicas para fazer, acabando às 22h30 a falar com a Mme porque "o kiki hoje comeu menos 20g que ontem acha que é grave Doutor?" ou "a gatinha hoje fez 2 jactos de xixi e ontem fez um...acha que está a sofrer?"
Mas a vida da fortaleza vale tanto a pena que só por isso, todas as dificuldades passam de "major" a "minor" e fazem-nos de outra fibra.
Todas as "fortalezas" têm disto...! Olho à volta, para os amigos na europa que estão a passar ou já passaram por isto...como o N. ou o ZM que tiveram que aprender outra língua de base quase aos 30 anos para serem cardiologistas...como o D. que à força de querer ser especialista em cirurgia, se vê no norte da Europa onde faz noite metade do ano...como a D. que viveu quase 7 anos longe do namorado (agora marido)... como a M. que trocou o sol de Lisboa pela chuva escocesa, como a D. que se viu a descobrir Demodex espanhóis trocando Lisboa pelas Ramblas por 3 anos ou como a C. que se viu na áfrica do Sul a cumprir o sonho de ser especialista em medicina interna...! Como eles, lembro-me de tantos outros amigos e conhecidos que passam pelo mesmo espalhados pelo Mundo.
Cada um de nós tem mesmo uma história para contar...e é por isso que me enervo com ideias de ordens e bastonárias em querer criar titulos proprios de especialistas em Portugal...Criar "fortalezas" de papel onde nem há porta de entrada ou saída....enervo-me com comentários de colegas que dizem "para quê o esforço?"..."Vale bem a pena...a avaliar como vai o país...se quiseres voltar ninguém te vai valorizar... não sei o que andas a fazer no estrangeiro". Comentários destes, apesar de escusados, só me dão mesmo mais força para continuar o caminho e provar que vale a pena o esforço, o sacrifício e o trabalho de procura pela excelência. E eu acredito que Portugal é país para nos receber depois do esforço.

Hoje já passei o meio...já me sinto a caminho da saída da fortaleza...mas ainda falta um bom pedaço de "estrada"! Continuarei com o mesmo sorriso (mesmo se no fundo o caminho não seja fácil), na luta pelo sonho.

E sabe bem partilhar estas histórias de vida, falar com os amigos que passam o mesmo e perceber que não estamos sozinhos nesta aventura...

E espero que continuem a existir tantas fortalezas como guerreiros, prontos a enfrentá-las! E se forem guerreiros portugueses prontos a voltar à pátria após a passagem pela Fortaleza...então ainda melhor!



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Comer em Paris


Olá!!! Estou de volta depois de uns dias mais relaxantes e em família. Foram dias de reencontros (e ainda faltam tantos!!) com os meus sogros e com o nosso Pépi, no Baleal...os animais não esquecem e é bem verdade! Cheirou-me e lambeu-me como se o tivesse deixado em casa de manhã antes de ir trabalhar.
 
Ainda é confuso estar de volta, parece que estou de férias, porque o meu coração e a minha cabeça estão em Paris...olho para o relógio e vejo sempre uma hora a mais (horário parisiense), não pelo jet lag (que nem existe), mas porque ainda me organizo em função dos horários do Rodolfo. Uma hora de diferença já obriga a uma certa ginástica e neste dias em que tenho ido jantar fora com os  meus pais ou com os meus sogros, tento não chegar muito depois das 22h de cá porque já são 23h em Paris e ainda podemos falar com calma antes do Rodolfo ir dormir.
Viver uma relação à distância também é viver em dois mundos, o nosso e o da outra pessoa.
 
Lamechices à parte, tenho-me deparado com muitos franceses de férias aqui na zona Oeste...Gostam disto, não é? E os funcionários das lojas até sorriem, certo? Podiam aprender algumas coisas durante as férias!
Para quem ainda não se cruzou com um parisiense na vida, esperem alguém pedante, cheio de si, desagradável, sorriso ? só se precisar da vossa ajuda, cheiro...depende, mas em geral não cheiram a Chanel nº 5. Claro que encontrei pessoas simpáticas e que ficam no coração (a maioria não é de Paris, será coincidência?), mas no geral não há cá simpatias para ninguém.
 
Outro grande choque cultural foi em termos alimentares, comíamos no hospital e levava comer de casa para nós, mas era rara a pessoa que perdia tempo a cozinhar.
Pão sempre!! Havia sempre baguetes no meio da mesa da cozinha e depois havia todo um desfile de enlatados, comidas congeladas, taboulé (sou fã!!! é uma mistura cous cous com pepino, tomate, hortelã), foi rara a vez que vi alguém comer sopa e a refeição terminava invariavelmente com um iogurte. 
 " Então mas os Franceses não são os grandes chefs de cozinha?", esta foi a realidade que conheci e que pode não ser verdade para a totalidade dos casos, mas por algum motivo há tanta variedade de comidas congeladas e pré-feitas nos supermercados. Para além da falta de tempo, acredito que o preço dos alimentos também contribua para este tipo de escolhas.
Até o frango é caríssimo! Frutas tropicais são todas compradas à unidade, mas a um preço bem mais elevado do que em terras lusas.
 
Aprendi a gerir a lista de supermercado de outra forma,sem nunca deixar de parte os alimentos mais importantes, mas passei a pensar duas vezes antes de comprar kiwis, optava por pescada e salmão em vez de outros peixes mais caros. São ensinamentos que vão continuar a ser úteis!
 
Outra curiosidade, não procurem gelatina nos supermercados...não existe mesmo (sempre que vinha a Portugal levava uma embalagem).
 
Comer em Paris é caro, mas se vão em viagem optem por uns almoços menos requintados num dos muitos Paul, Brioche Dorée ou Monoprix (não me pagaram para dizer isto) e à noite já podem gastar mais uns €€ num restaurante romântico.
 
 
 
 
Até breve!!
Pastel de nata (agora mais queimada)
 

domingo, 23 de agosto de 2015

Filmes e Músicos Franceses


Bonsoir leitores! ;)

Cá o tuga emigrado continua com algum trabalho...! Apesar da maior parte dos parisienses ir de férias em Agosto, a escola vet fecha e o fluxo de casos forçosamente aumenta.
Agora saboreio 2 dias livres...que aproveito para avançar na preparação da apresentação que vou fazer a Lisboa e para pôr a conversa em dia com a Rute. Vale Facetime, Whatsapp, Skype, telefone fixo etc...as saudades não diminuem mas vão ficando mais leves!

Vicissitudes da emigração, acabamos por mudar um pouco os gostos musicais e adaptamo-nos ao que "está na moda no país destino". Desde há um ano e picos que ouvimos Fréro dela Vega cá em casa (uma dupla que ficou conhecida pelo THE VOICE francês e que dá cartas em todo o território...) e mais recentemente a Louane. A Louane também foi uma das finalistas do THE VOICE e saltou para a ribalta por ter participado como personagem principal no filme La Famille Bellier. A Louane e os Fréro de la Vega passam tantas vezes na rádio que acabamos por trautear as canções o dia inteiro...!

E quanto aos filmes...acaba por ser parecido. Aqui não há legendas...é tudo dobrado, o que tira o interesse a quase todos os filmes americanos (que acabamos por ver só em casa). Contudo, os filmes franceses, esses sim valem a pena. Sempre fui fan de filmes franceses. Relembro o Fabuloso Destino de Amélie Poulain (e insisto em passar pelo café dos "dois moinhos") sempre que vamos a Montmartre.
Seguiram-se os "Amigos Improváveis", o primeiro filme que eu e a Rute vimos no cinema enquanto namorados (e que eu, apesar de já ter visto uma vez, repeti com ela como se fosse a primeira...). Vimos também "Qu'est ce qu'on a fait au bon Dieu", uma comédia hilariante sobre a mistura de culturas que se vive actualmente em França e mais tarde, "Samba", um pouco ao mesmo estilo que os Amigos improváveis (e com um dos protagonistas em comum), também sobre a emigração ilegal.
Mais recentemente, não vimos no cinema mas vimos no VideoClub da box cá de casa...a Família Bellier. Estreou em Novembro por cá e acaba de estrear em Portugal.

A Família Bellier é um misto de musical com comédia e drama familiar. Confesso que sempre gostei de musicais e rapidamente fico com as músicas na cabeça. Não vos conto a história (até porque vale mesmo a pena ir ver ao cinema) mas, uma vez mais, o cinema francês surpreendeu-me. Tem uma banda sonora "refresh" baseada em êxitos de Michel Sardou, nome que não conhecia mas que é uma espécie de "Marco Paulo" francês (sem os caracóis e o olhar para o céu!).

Isto para vos dizer que ser emigrante também tem destas coisas...a adaptação ao país também passa pelo "bombardeamento" com outro tipo de músicas e filmes. Primeiro estranha-se e depois entranha-se! E surpreendentemente, aprendemos a gostar e a recomendar...!

Amigos leitores não percam...já está em Portugal! ;)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

De volta à Pátria, mas longe de Ti!


Um dia sem vir ao Blog e já sentia falta! Cheguei ontem a Lisboa e foi um dia estranho e cheio de emoções. Deixei o Rodolfo em Paris e decidi vir ontem, porque ele trabalhou e acreditei que  a despedida seria menos dura, sem idas ao aeroporto (traumatizantes para nós), mas doeu na mesma (sim, como na primeira despedida no aeroporto da Portela em Janeiro de 2014).
 
Recordar é viver e nunca essas palavras fizeram tanto sentido como agora! Quando estamos longe de quem amamos tudo nos remete para essa pessoa...uma música, um cheiro, uma situação hilariante que certamente só ele (tu Rodolfo) iria perceber.
 
Mais engraçado é pensar que durante os meus 5 anos de faculdade nunca olhei para a pessoa que hoje faz parte de mim e que é a "minha pessoa". E olhem que ele é grande e fala alto! Ainda lhe falta aprender algumas coisas, como perceber que peça de roupa da Z. é que poderia comprar-me sem que eu fique a olhar para ele com aquele ar " A sério? !", não percebe porque é que gosto de hotéis giros, flores...qual é o interesse de dar flores? Mas sim, és a minha Cristina Yang (digam-me que são fãs da Anatomia de Grey)!
 
Só se valoriza quando se perde? Não é totalmente verdade, mas sem dúvida que só perdemos o nosso tempo a pensar nisso quando nos apercebemos de que o que temos diariamente e que damos como " normal" é, na verdade, MUITO E BOM!
É um exercício interessante  (cardíacos não devem fazer este tipo de exercício, porque é mesmo muito duro, faz doer o coração e a alma) e que nos permite agradecer a pessoa que temos ao nosso lado. É caso para dizer, tudo na vida pode ter um lado positivo.
 
Será que homens e mulheres sofrem da mesma forma? Eu choro muito, por tudo e por nada...filmes, despedidas, irritações...sei lá porquê! Liberta-me!  E acho que posso dizer Felizmente, o meu R é um homem sem problemas em chorar, que diz "amo-te" e "tenho saudades tuas"...e que bom que isso é.
 Não critico quem opta pelo silêncio, pela tranquilidade da auto-reflexão, mas nesta família tudo é partilhado, discutido e vivido, por vezes de forma exagerada... somos assim.
 
Voltar para Portugal é bom, mas estranho por estar cá sem o meu R, ainda me sinto uma "intrusa" de volta à Pátria, mas cada dia será um bocadinho melhor. Ainda não tive tempo para descansar, mas olhar pela janela e ver este final de tarde (ver foto) deu-me um bocadinho da paz que espero encontrar passo a passo.
 
 
 
Nos próximos dias vou andar entre praia (caso o S. Pedro seja meu amigo), procura de emprego e a nova função de Mestre de Obras, sim porque alguém tem que remodelar aquela que será a nossa casa portuguesa nos próximos tempos....isto promete!
 
Até breve!

Duras despedidas

As despedidas fazem invariavelmente parte da experiência de todo o emigrante. Basta olhar à volta nos aeroportos ou noutras gares europeias. Partilham-se abraços, expressando antecipadamente a saudade que já se tem, mesmo quando a outra pessoa ainda não partiu. E ontem cá em casa, não foi excepção.
Acho que ninguém gosta de despedidas...mas uma vez mais ontem, lá foi a Rute para Portugal e eu fiquei cá. Acho que é das piores experiências que temos vivido enquanto casal...! E cada despedida é gravada na memória de forma particular...e a cada despedida, relembro tantas outras que já passámos.
Lembro-me da primeira viagem que fiz para a residência, a primeira já casado e sem a Rute. Despedi-me da Rute no aeroporto e pareceu-me ter sido a pior de todas as despedidas..."Porque um Homem também chora quando assim tem que ser..."(como diz o abrunhosa)... dei liberdade àquela lágrima irritante e incontrolável do ultimo minuto...! Foi duro...
Repetiu-se viagem após viagem...tendo sempre como cenário uma entrada para o taxi ou uma plataforma de aeroporto...onde os olhares se cruzam já após a passagem dos controladores e onde ao virar de uma parede, a saudade ganha outra dimensão.
As sucessivas despedidas que, apesar de serem cada vez mais em número, custam tanto como se fosse a primeira. Fica um vazio enorme e perdemos metade daquela estabilidade que somos enquanto casal.
Ontem não foi excepção...e a despedida foi tão ou mais dificil como a primeira...

Talvez porque o Karma também deve ser solidário com isso, tive um dia particularmente caótico (que  acabou com a extracção de 2 corpos estranhos gástricos num cão que além desses 2 tinha mais 5...todas formas de bolo em silicone...e que afinal decidi enviar para cirurgia dado os esforços de extracção estarem a ser em vão). Com isso tudo, a disponibilidade mental foi reduzida. Ainda assim, tudo voltou quando cheguei a casa às 23horas, sem ter a Rute à espera e sem ter o jantar meticulosamente preparado como nos últimos 14 meses...e nas pequenas coisas se percebe a importância que uma vida a dois tem, sobretudo quando estamos emigrados e quando aprendemos a viver a dois em 28m2...

Como dizia o Fernando Pessoa, "Pedras, guardo-as todas e um dia construo um castelo". Quero acreditar que cada despedida é uma pedra e que todo este sacrifício de emigra vai valer a pena na construção (já começada) deste castelo!




p.s. "The Lovers" statue esculpida por Paul Day e um dos ícones da estação de St. Pancras em Londres.




terça-feira, 18 de agosto de 2015

Último jantar a dois antes de 9 de Setembro!

 
 
 
So good o nosso Sushi!!! O melhor de todos e é das refeições menos caras aqui da zona, o peixe é fresquinho e Monsieur Sushi é um simpático e já nos chama Ms et Md Oliveira (apesar de eu continuar com o meu nome de solteira...o melhor é não complicar a cabeça do Sr.º com modernices). Já sabe o que queremos e quando decidimos mudar alguma coisa no repasto fica todo desorientado. Pequeno pormenor muito interessante, o Ms Sushi pinta quadros muito "especiais" (coloridos, estranhos mesmo!), por exemplo o retrato da Brigitte Bardot mas com uma flor em relevo no lugar do sinal da cara... tipo Catarina Furtado, mas com a diferença de que a Brigitte não tem sinal. Vou ter saudades do Ms Sushi!!!
 
Quando percebeu que vou amanhã para Portugal, ele que é sempre  tão amável deu-me um cadeaux...foi muito simpático, mas aquela coisa verde nunca na vida vai parar à minha boca (vejam a foto) ! Claro que o Rodolfo provou logo, porque lá nisso o meu marido prova tudo sem medos...faz caretas, mas marcha tudo!
 
 
Amanhã o dia começa cedo...acordo em Paris e já me deito em Portugal.
É dia de make-up anti-lágrima! Vamos ser muito fortes e sorrir, porque agora até temos um blog e temos os nossos seguidores e não podemos perder muito tempo a chorar ( só um bocadinho, ok?).
 
À Bientôt!
Rute
 
 



Em contagem decrescente...

Salut!

Pegando no último post da Rute, ontem foi dia de celebrar mais uma etapa. Sim...os casos foram validados! Os casos que a Rute apresentou e que fazem parte da validação do seu certificado, que a stressaram horas e dias a fio e que foram um quebra-cabeças para mim! Habituado a assuntos de medicina interna, ler casos de ortopedia foi algo cansativo mas valeu a pena!
Agora falta o exame (que sim...estou a insistir para que a Rute o faça este ano ainda mas que...teimosia de mulher...não está fácil)...!
Cheguei não às 22 mas às 22h15 e sim...tivemos não 18 mas 23 animais internados no serviço (o que dificultou a coisa!). Ainda assim celebrámos com um super jantar cozinhado pela Rute que além de Sarah Jessica Parker tem um quê de Oliver...e me brindou com um fabuloso salmão no forno. Vou ter mesmo saudades disso...e já a partir de amanhã!...
Amanhã a Rute volta para Portugal... e não, emocionalmente não é fácil...emocionalmente e não só...vou voltar a comer congelados e pré-cozinhados, vou voltar a viver "incompleto" depois de um ano em cheio em terras francesas.

A Rute começou a fazer a mala ontem...e para ela, fazer a mala é sinónimo de stress...! Enquanto nós homens conseguimos fazer uma mala em 3 minutos...as mulheres demoram sempre mais tempo...e a casa (que é um T0) vira a feira de Peniche com montes de roupa "a escolher a escolher..."! Andou às voltas com roupas de inverno e verão...numa tentativa hercúlea de enfiar o Rossio na "Rua da Betesga", respeitando meticulosamente os 23kg da TAP. Mesmo sabendo que vou a Portugal daqui a umas semanas...a ideia de que lhe posso levar roupa não lhe agrada e já queria ir comprar uma mala e dar mais dinheiro à TAP para lhe levar uns kilinhos extra! Felizmente o marido travou-a e conseguiu que ela percebesse o conceito de essencial... (se bem que o essencial nesta política de bagagem nunca é o mesmo entre homens e mulheres!).

Hoje foi dia de cancelar a conta de telefone móvel e de tratar de todas as burocracias de última hora (aquelas que foi tão difícil activar e que desactivar é estupidamente tão mais fácil). Felizmente estive de folga e ajudei a Rute nisso...

Almoçámos no sítio do costume e tomei um Café Gourmand (um café nada igual ao português mas acompanhado de 3 miniaturas...um mini fondant au chocolat, um macarron e um bolinho de amêndoa)..."Voici la photo..."


E agora...agora é tempo de jantar num dos locais favoritos de ambos (um Sushi estupendo aqui do arrondissement onde já nos conhecem e sabem o que gostamos!).
Porque amanhã é um novo dia e porque há que aproveitar ao máximo o que a vida de emigrante em casal tem de melhor...mesmo no banlieue parisiense...


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Sans passion il n'y a pas d'élévation






Sans passion il n'y a pas d'élévation, ouvi esta citação num programa de televisão francês sobre chefs de cozinha. Mas parece-me que é uma afirmação transversal a tudo na vida.
 
Sem paixão não faríamos loucuras por amor, eu não teria oferecido um Jack Russel ao meu R. sem pensar nas consequências ( Pépi, we love you!!! lol Este será certamente tema de um post). Também não teria deixado tudo...trabalho família, amigos e estabilidade pelo meu marido e talvez também não estivesse a fazer as malas para regressar a Portugal.
 
É a paixão que nos move, que nos leva a correr atrás daquilo que nos faz bem, que nos faz sorrir, seja profissão ou amor.
 
Hoje venci uma pequena batalha, passei os casos clínicos que me dão entrada direta na sala do exame final de reabilitação da Universidade do Tennessee. Sim, estou orgulhosa, até porque durante meses segui estes animais e durante outros tantos meses não tive fins de semana para concluir os 5 casos que me deram muitas dores de cabeça. O Rodolfo teve que aturar muitas birras, teve paciência para ler os longos casos, todos em inglês, sobre temas que ele nem gosta muito (ortopedia, neurologia e osteoartrose)...coitado do homem! Oui, mereces este agradecimento público! ; )
 
Tenho 2 anos para fazer o exame, o dilema impõe-se...será este o melhor momento para o fazer (em Outubro) ou aguardo? Esta semana volto a Portugal, tenho que me ocupar das obras daquela que vai ser a nossa casa, quero focar-me na minha procura de emprego na indústria farmacêutica e posso não ter dias disponíveis para estudar (estudar a sério) ou mesmo dias para ir fazer o exame a Palma de Maiorca (que tentador não é? mas para estar um  dia inteiro dentro de uma sala de hotel a fazer exames teóricos e práticos é indiferente estar ao pé da praia ou no meio do deserto). Mais uma vez, eu e o Rodolfo temos pontos de vista diferentes (talvez ele vos brinde com a perspetiva dele). Vamos ponderar e decidir juntos (vá, eu geralmente tento sempre explicar porque é que estou certa!).
 
Mas hoje é dia de agradecer e festejar esta pequena vitória! Jantar especial para nós, em casa pois está claro, porque com 18 internados e outras tantas consultas, não tenho dúvidas de que o Rodolfo não chega antes das 22h...
 
Até Breve!
 

domingo, 16 de agosto de 2015



Ui que temos tanto para dizer...teremos certamente dias e semanas mais calmos, mas há que fazer o post quando faz sentido e hoje faz tanto sentido!

Como referi na última publicação, as despedidas (à bientôt ...custa menos dizer assim) continuam e o meu cacifo já está vazio. Sim, custa um bocadinho porque os hábitos entranham-se, tive bons momentos nesta clínica, conheci pessoas que ficarão para sempre no meu coração, trabalhei no mesmo sítio do Rodolfo ( strange!!!), mas venham de lá os novos desafios!



Adeus Cacifo!
Batas e pijamas a montes


Para vos enquadrar, quando cheguei a Paris no dia 29 de Junho de 2014, vim sem perspectivas de trabalho, não tinha grandes bases de francês (só uns cursos rápidos na Alliance), sabia apenas que ia começar um estágio de 2 meses no serviço de fisioterapia e reabilitação desta clínica. Gostei muito, aprendi tanto e decidi investir numa especialização nesta área, da qual já completei 6 das 7 partes ( entre viagens a Palma, estágios em Portugal e no Reino Unido...a bagagem vai cheia).

Para quem não me conhece, sou veterinária de base, mas nunca exerci clínica...a vida é estranha e nem sei bem explicar porquê. Ou talvez saiba, sempre fui boa aluna, não adorei os anos de faculdade, nem os meus estágios em clínica e talvez por isso tenha enveredado por outras das muitas saídas de profissionais que um Médico Veterinário pode ter. Fiz segurança alimentar durante muito tempo e depois iniciei-me na indústria farmacêutica veterinária, aprendi a gostar deste "mundo" e espero que o meu regresso a Portugal me abra novamente portas neste campo!
 
E a reabilitação? Se for compatível porque não? Mas não para já,  primeiro tenho que dar descanso a estas vértebras, ossos e músculos que têm sido muito massacrados nos últimos meses. Ficarão para sempre na lembrança e no coração pacientes como a Farine, a Artémis, a Tilou, o Archos, o Tyson...

Ahh aprendi a falar francês! Chique não é? Deu-me trabalho, perdia horas para escrever um mail normal para um colega ou um cliente, tinha que pensar antes de falar, e fazer conversa com os clientes? Porque isto de falar com termos técnicos até se aprende, mas falar de banalidade não é bem a mesma coisa. Le membre, l'hernie discal ainda vá, agora " C'est oú la tondeuse?" quem??? ahhhhh a tosqueadora, pois claro, como é que não pensei logo nisso! Senti-me muitas vezes inferior, " a mais", mas depois ganhei o meu lugar,  trabalhei em francês e estudei em inglês, aprendi a gerir a reabilitação de pacientes neurológicos! Grande pinta, sim estou contente por ter arriscado. Acompanhei o Rodolfo durante 14 meses e aprendemos que não é fácil viver com pouca qualidade de vida, mas sim valeu a pena ter vindo por ele, por nós e agora...agora estamos em contagem decrescente.

À bientôt mes poulettes!




Ma chère Mathilde e ma petite Lucile!

E não há duas sem três...

SALUT!

Sim! Eu sou o Marido Gourmand e esta é a minha estreia neste canto da blogosfera. A ideia foi mesmo da senhora minha esposa e eu subscrevo-a a 100%...! Entre várias razões, queremos desmistificar a distância que nos vai separar fisicamente ao longo dos próximos meses. Bem contados serão 13 meses em que eu ficarei na cidade luz e a R volta a Lisboa.

Confesso-me uma pessoa feliz! Sempre trabalhei na área que gosto e estou a especializar-me em Medicina Interna de Animais de Companhia (sim...para quem não percebe do assunto, também é possível sermos especialistas em várias áreas da Medicina Veterinária....neurologia, cirurgia, dermatologia, cardiologia, oncologia, oftalmo...e Medicina Interna). Medicina Interna resume várias sub-especialidades (como a uronefrologia, a gastroenterologia, a endocrinologia...) e é o meu foco profissional. Como nada disto de ser especialista geralmente é fácil, (ainda) não é possível sê-lo  sem sair de Portugal (especialista de verdade...porque "pseudo"...há quem ande a tratar disso e há mesmo um grande "reboliço" sobre o assunto, recentemente explorado nos media mas que não interessa para este post). Para se ser especialista na respectiva área há que exercer exclusivamente essa área durante 3 anos e supervisionado por alguém que já tenho o diploma de especialista (o qual pode ser europeu ou americano, de acordo com o respectivo colégio de especialidade).

Pois eu, na saga de seguir esse sonho e mês e meio (sim 45 dias!) depois de ter casado, aventurei-me numa saga de 3 anos num centro de referência em Paris onde se pode obter o titulo de especialista. Para isso, troquei o bom de Portugal pela cultura francesa em Janeiro de 2014.

Foi fácil? Claro que não...! Sobretudo porque a R ficou em Portugal...e com ela o Pepi, o "nosso" filho canino que também deixei em terras lusas. Nunca falar por skype ou whatsapp teve a dimensão que lhe demos...! E não só era difícil lidar com isso como também tinhamos que ouvir (à esquerda e à direita) as famosas más-linguas (que nascem de um cruzamento entre sopeiras e mal casadas com uma herança genética de víboras) que nos brindavam à primeira curva com um "então...cada um faz as suas escolhas..."..."então...o seu Marido está em França e você cá? Não acho isso normal"..."então a esta hora já ele está com uma francesa e você anda aqui...". Felizmente nunca me cruzei com certas pessoas dessas mas a R viveu bem na pele o que a sociedade pensa sobre relações à distância.

A distância foi abrandada em Junho de 2014, a R conseguiu uma licença sem vencimento e juntou-se a mim nesta aventura. Encontrou o seu nicho laboral no mesmo hospital, num outro serviço, na reabilitação e fisioterapia. A experiência permitiu-nos estar juntos e viver parte do primeiro ano de casados juntos como um casal normal...mas em condições para-normais (morámos em 28m2, e nem vos digo nem vos conto como é gerir uma mulher com roupas e sapatos, num T0!).
Vicissitudes laborais e médicas (carregar com cães forçosamente colmata em dores de costas e hérnias discais), a R vai voltar de novo para Portugal muito em breve (dentro de 3 dias). Então, vamos voltar de novo à triste experiência de um relacionamento à distância...!

Este blog não fala portanto de bebés (por enquanto!), não fala directamente de viagens, não fala de revistas do social...este blog fala de nós...de um casal normal como tantos outros, mas que tem que lidar com a distância e tentar relativizá-la da melhor forma que existe. Não devemos ser os unicos nesta saga...mas esperamos brindar famílias e amigos com o melhor das nossas experiências...

E porque não há duas sem três...o meu post colmata o lançamento do blog...

Um abraço de Paris!



A queimar os últimos cartuchos em Paris

Moramos nos arredores de Paris, porque é aqui que fica o Hospital veterinário de referência onde trabalhamos ...quer dizer, eu vou hoje esvaziar o meu cacifo (falarei disto mais tarde).
 
Ontem foi sábado de passeio, coisa rara na nossa vida de emigras.  Andámos sem destino pelas ruas de Saint Germain, ruas cheias de turistas que ocupavam todas as cadeiras dos cafés. Parámos para um gelado (facilmente irão perceber que o meu caro marido adora doces), tirámos fotos, fomos turistas nesta cidade que também é um bocadinho nossa.
 
A vida em Paris não é mesmo nada barata, mas podem aproveitar os maravilhosos jardins que esta cidade tem. Basta haver um raio de sol para que estes jardins estejam cheios de grupos de amigos deitadas na relva, quando não há areia...há relva.
 
Foi também noite de despedida de muitos dos colegas e amigos que fiz durante este ano e pouco. Estas soirées são dignas de um case study, os franceses também podem ser  divertidos, mas muito diferentes de nós...ora vejamos: havia grão (sim daquele que vem latas) como aperitivo, gomas em caixas de plástico, o jantar foi quiche e mais quiche e tortilha. Houve muita música, porque depois do stress diário da clínica toda a gente gosta de abanicar o esqueleto (eu também gosto, mas desta vez a minha cervical não me permitiu, espero falar disto mais tarde).
 
Hoje há mais despedidas e um jantar em casa de um dos cirurgiões com quem trabalhei mais frequentemente e com quem desenvolvi uma boa amizade. Aqui entre nós, ele faz tanto sucesso quanto o Mcsteamy da Anatomia de Grey, mas para mim e para o Rodolfo é um grande potô (que é como quem diz, é um amigalhaço).
 
 
À Bientôt!!
Jardim das Tulherias  



Gelado em Saint Germain




 

sábado, 15 de agosto de 2015

De volta aos pastéis de nata...e chega o nosso Blog!

Voilá o meu primeiro blog, aliás... o nosso! Nesta febre de blogs sobre viagens, comida,  bebés, chega um Blog  em que pretendemos falar de tudo e de nada, original hum???
Somos um casal banal, mas com uma situação de vida particular, da qual advêm algumas aventuras, lágrimas, sorrisos e visões diferentes do mesmo assunto (como em todos os casais).
 
Passando verdadeiramente às apresentações, somos 2 trintões, casados há 1 ano e 9 meses...romantic?! O 1º ano de casados é um sonho, não é? O nosso não foi bem assim, porque eu fiquei em Portugal e o Rodolfo veio para Paris, 6 meses depois vim eu... fiquei 1 ano e 2 meses e, na próxima 4ª feira,  regresso a Lisboa ...Curiosos?
 
 
Portanto, eu serei o pastel de nata da história (e de pastel acho que só tenho a canela) símbolo da doçaria portuguesa, à qual até os franceses se rendem, o Rodolfo é o macarron, gourmandise típica da cidade luz.

Este é um blog de emoções e de partilha do que já aprendemos com uma relação à distância, do que esperamos destes últimos 16 meses de viagens Lisboa Paris, Paris Lisboa (e não só), de muitas chamadas skype, whatsapps e outras tantas artimanhas que, de alguma forma, encurtam a distância.

Não queremos ser lamechas (pelo menos, não muito), vamos falar muito do presente, mas certamente também iremos falar muito do passado e do futuro.

A fita de inauguração está oficialmente cortada!